Networking é uma Maratona, Não uma Corrida de Velocidade

A Semana Internacional do Networking foi criada em 2007 com o objetivo de destacar o poder do networking empresarial. Desde então, ela é celebrada todos os anos em diversos países, promovendo a importância dos relacionamentos para o crescimento dos negócios.
O BNI, por si só, gera bilhões em negócios para seus membros em todo o mundo, contribuindo diretamente para o fortalecimento das pequenas empresas e das comunidades onde atua. Essa foi uma das principais razões para criar uma iniciativa que evidenciasse, para a sociedade e para a mídia, o verdadeiro impacto do networking empresarial.
Essa reflexão nos leva a um princípio que considero essencial: o networking é uma maratona, e não uma corrida de velocidade.

Visibilidade sem relacionamento não gera resultados

Há alguns anos, conheci uma mulher que era considerada uma excelente networker. Ela possuía centenas, talvez milhares de contatos. Era conhecida por praticamente todos na comunidade e sempre era lembrada quando alguém precisava de alguma coisa.
Durante uma conversa, porém, ela me fez uma confidência surpreendente.
Disse que todo o esforço dedicado ao networking não estava trazendo os resultados que esperava. Frequentava inúmeros eventos, participava de diversos grupos, conhecia muitas pessoas e continuava ampliando sua rede de contatos. Ainda assim, os negócios concretos simplesmente não aconteciam.
Perguntei quantos eventos de networking ela frequentava por semana.
Sua resposta foi: pelo menos cinco.
Às vezes, ainda mais.
Foi então que compreendi onde estava o problema.
Apesar de ser extremamente competente para conhecer pessoas e conquistar Visibilidade, ela nunca chegava ao verdadeiro propósito do networking: construir relacionamentos.
Estava tão ocupada participando de eventos e ampliando sua lista de contatos que não dedicava tempo para desenvolver conexões profundas e construir Credibilidade.
Ela confundia atividade com realização.
Sua rede de contatos tinha um quilômetro de largura, mas apenas alguns centímetros de profundidade.
Ela nunca investiu tempo suficiente para que as pessoas realmente a conhecessem, gostassem dela, confiassem nela e se sentissem confortáveis para compartilhar Referências.

Quando a atividade substitui a estratégia

Algum tempo depois, observei exatamente o mesmo comportamento em outro profissional.
Ele fazia questão de participar de praticamente todos os eventos de networking disponíveis. Era extremamente conhecido, sempre demonstrava entusiasmo e mantinha um alto nível de energia durante todos os encontros.
O problema não era falta de dedicação.
Também não era falta de entusiasmo.
Ele realmente conhecia muitas pessoas.
O problema era que estava sempre correndo de um evento para outro e nunca permanecia tempo suficiente para criar raízes que permitissem o desenvolvimento de relacionamentos duradouros e recíprocos.
Com o passar do tempo, sofreu um intenso esgotamento relacionado ao networking.
Passou de alguém que estava presente em todos os lugares para alguém que praticamente não participava mais de nenhum evento.
Cerca de um ano depois, seu negócio encerrou as atividades.

Por que o BNI se reúne semanalmente

Essa é uma das razões pelas quais o BNI foi estruturado para realizar reuniões semanais.
O objetivo nunca foi apenas aumentar a quantidade de contatos.
O verdadeiro propósito é aprofundar os relacionamentos.
Não é o número de pessoas que você conhece que faz a diferença.
É o número de conexões genuínas que você constrói e a qualidade dos relacionamentos que desenvolve.
O networking continua sendo uma maratona, nunca uma corrida de velocidade.
Se seu objetivo é fazer o maior número possível de contatos, dificilmente você construirá uma rede de relacionamentos realmente poderosa.
Além disso, esse ritmo intenso tende a provocar desgaste.
Participar continuamente de um evento após o outro é cansativo e, muitas vezes, pouco eficaz.
É preciso encontrar equilíbrio entre as ações que aumentam sua Visibilidade e aquelas que fortalecem sua Credibilidade.

O poder dos Um a Um

Uma excelente forma de alcançar esse equilíbrio é agendar Um a Um com as pessoas que você conhece.
Esses encontros permitem compreender melhor os produtos e serviços que elas oferecem e identificar oportunidades para compartilhar Referências qualificadas.
Ao mesmo tempo, permitem que elas façam exatamente o mesmo por você.
Ao longo dos anos, tenho enfatizado repetidamente a importância dos Um a Um.
As pesquisas realizadas pelo BNI mostram um resultado muito interessante.
Quando um membro passa de um “Um a Um” por mês para um “Um a Um” por semana, ele dobra tanto a quantidade de Referências que recebe quanto a quantidade de Referências que compartilha.
Isso acontece porque os Um a Um fortalecem os relacionamentos.
E relacionamentos fortes geram confiança.

Um exemplo na prática

Uma corretora de imóveis da Califórnia compartilhou comigo uma experiência que ilustra perfeitamente esse princípio.
Durante um período de forte recessão econômica, justamente quando o mercado imobiliário enfrentava enormes dificuldades, ela decidiu construir uma rede de contatos que fosse ampla, mas também profunda.
Seguindo minha recomendação, passou a realizar pelo menos quatro Um a Um por mês.
Seu foco deixou de ser apenas conhecer pessoas.
Ela passou a investir na construção de relacionamentos.
Sempre que identificava uma oportunidade de negócio para alguém de sua rede, fazia algo muito simples.
Pegava o telefone naquele mesmo momento e colocava as duas pessoas em contato.
Essas apresentações geravam conexões muito mais fortes e frequentemente resultavam em novos negócios.
Como consequência, ela passou a compartilhar aproximadamente o dobro de Referências em comparação aos anos anteriores.
Mais importante ainda, também passou a receber cerca do dobro de Referências.
Ela havia deixado de tratar o networking como uma corrida de velocidade e passado a enxergá-lo como uma maratona.
Essa história demonstra que o networking está muito mais relacionado ao cultivo de relacionamentos do que à busca incessante por oportunidades imediatas.
É muito mais uma atividade de cultivo do que de caça.
Mesmo enfrentando um dos períodos econômicos mais difíceis para sua profissão, ela utilizou suas habilidades de construção de relacionamentos para desenvolver conexões duradouras que continuaram gerando resultados.

Às vezes é preciso desacelerar para crescer

Quando falamos sobre networking, existe uma lição que vale a pena lembrar.
Às vezes, é preciso desacelerar para avançar mais rápido.
Repito essa ideia porque considero uma das mais importantes.
Às vezes, é preciso desacelerar para ir mais longe.
Construir relacionamentos leva tempo.
Uma prática que sempre considerei extremamente valiosa é agendar conversas em vez de simplesmente telefonar sem aviso.
Ao marcar um horário, ambos podem dedicar atenção total à conversa, fortalecendo muito mais o relacionamento.
Durante muitos anos, quando era responsável pelas operações diárias do BNI, eu mantinha uma lista de Diretores Executivos, Diretores Regionais e Diretores Nacionais.
Todos os dias entrava em contato com alguns deles, normalmente por e-mail, propondo uma conversa durante aquela semana.
Essas não eram ligações para tratar de negócios.
Eram conversas para perguntar:
“Como você está?”
“Como está o seu negócio?”
“Como posso ajudar?”
Esse hábito exigia tempo, mas fortalecia relacionamentos importantes em toda a organização.
E esse é exatamente o espírito do networking.
Ele não é uma corrida de velocidade.
É uma maratona construída por meio de relacionamentos consistentes, confiança mútua e conexões verdadeiras.

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